As críticas lidas por mim sobre Pânico 4, em sua unanimidade falavam muito bem da sequencia, ou talvez a primeira parte de uma nova trilogia. Fiquei feliz ao ver que o filme obtivera boas criticas, mas ainda assim, devido à experiências anteriores com críticas lidas na internet, preferi não criar grandes expectativas sobre o filme.
Sentei ansioso na sala de cinema, como todo fã de Pânico, aguardando para descobrir qual seria o casal a morrer no início do filme, já que havia sido assim nos três primeiros. Logo de início já reclamei do diálogo sem graça, e quando as duas primeiras mortes efetuaram-se, amaldiçoei Kevin Williamson e Ehren Kruger (os roteiristas) por terem ousado criar uma sequencia. Mas isso foi apenas por milésimos de segundos, então eu (e o cinema inteiro) caímos na gargalhada, e eu bati palmas para a genialidade de Williamson e Kruger.
O filme por completo é uma metalinguística, e nunca na história de Pânico, se teve tantas piadas e referencias à outros filmes de terror. As mortes são muito mais ensanguentadas (o que realmente não é visto como uma qualidade por mim) mas além disso, elas são tão tocantes e tristes como os primeiros minutos do primeiro Pânico. Desde o assassinato de Casye Becker, eu não havia visto uma cena tão triste e desesperadora de assassinato em qualquer filme que tenha visto. Pânico 4 superou esta cena de longe.
Wes Craven, apesar de hoje já estar em um avançado estágio de decomposição (com todo carinho e respeito ao meu querido e predileto diretor de terror/suspense) mostra-se muito antenado. Talvez por sempre fazer filmes de terror e estar rodeados de jovens, ele (e Williamson) mostram como o mundo mudou, desde o fim da primeira trilogia até o início da nova. O filme discute bastante sobre a fama desejada pelos adolescentes de hoje além de fazer uma crítica aos reality shows, que expõe a vida alheia.
Achei realmente o retorno à Wodsboro chato, no entanto, acreditava que iria decepcionar-me com o novo grupo de adolescentes, e isso não ocorreu. Eu simplesmente adorei os novos personagens, e, com exceção de dois, deparei-me com personagens totalmente originais, que não me remetiam aos personagens assassinados na primeira trilogia. Após uma terceira parte que se passa em Hollywood, uma quarta parte que se passa em Wodsboro é um tanto quanto monótona (analisando apenas pelo cenário, é claro).
A quarta parte de Pânico, vem para quebrar por completo as regras estabelecidas nos três primeiros. Estávamos acostumados com a fórmula: duas pessoas morrem na primeira cena, temos então uns 15 minutos sem mortes, e então a menina mais gostosa do filme é assassinada. Por fim temos a cena da festa, onde várias pessoas são assassinadas e no pós-festa temos a revelação do assassino. Esse “roteiro 3 minutos” nos é passado pelo próprio Pânico 4, que obviamente só nos revela isso, para logo depois contradizê-lo.
Para quem vai assistir a Pânico 4, fiquem sabendo, ele segue nos mesmo trilhos que os três primeiros, no entanto toma por alguns momentos caminhos diferentes. O trio principal retorna à história, além do Diretor Wes Craven, os dois roteiristas: Williamson de Pânico 1 e 2 e Kruger de Pânico 3, sem falar na contribuição de Marco Beltrami na trilha sonora, que completa a nostalgia da trilogia de abertura.
Como em todos os filmes Scream, sempre tem aquele personagem que você torce desde o início para escapar das garras do GhostFace, mas que no fim, acaba por ser abatido. Infelizmente, boa parte dos meus personagens prediletos desta sequencia, partiu desta para uma melhor, o que me decepcionou um pouco, no entanto trouxe uma veracidade maior para a história: onde ninguém está seguro, e todos podem morrer.
Acredito que Pânico 4 foi escrito pra agradar aos fãs, pois eu, como um fã de carteirinha, amei, mas ao imaginá-lo como o início de uma trilogia, não uma sequencia solta. Há ainda muitas controvérsias sobre a realização ou não de um Pânico 5 e 6, a todo dia tenho novas notícias de Craven dizendo sobre como irá desenrolar a quinta trama, e ao mesmo tempo a confirmação do cancelamento da franquia pela produtora, resultado da fraca bilheteria do filme. Temos confirmado que Pânico 4 foi escrito para abrir uma nova trilogia, e que o quinto e sexto filme já teriam seus esboços para que fossem feitas ligações entre todos eles, mesmo que cada um apresente um final que não peça mais continuações. Mas ter ideias (EU ODEIO ESSA NOVA REFORMA) no campo cinematográfico sempre se mostrou a parte mais fácil do processo: não conseguir um bom orçamento que permita essas ideias tornarem-se um filme, sempre foi a parte complicada da coisa. E é esse problema em que Pânico 5 e 6 se encontram.
Foi maravilhoso rever Neve Campbell no papel da minha mocinha favorita, bem como ver David e Courteney contracenando em um novo Pânico. Com um início e final que me surpreenderam em todos os aspectos, indico Pânico 4 à todos aqueles que adoraram os três primeiros. Como fã, duvido que ele o decepcionará.
Boa Sorte à produtora. Eu aguardo ansiosamente uma quinta e sexta parte. Afinal, não ressuscitaram um filme de onze anos atrás para apenas UMA sequencia. Isso ocorre com Remakes, não sequencias. SHIT!
Trailer de Pânico 4:

























